Capítulo 20 - 2ª parte
Carlos Tavares Junior
Eu poderia dar banho nela, fazer tudo de mais perverso que desejo, mas... − com ela, sempre tem um mas... − prefiro respeitar o tempo dela. Não sei o que aconteceu quando chegamos aqui! Ela parecia animada e encantada pela vila dos pescadores e, quando paramos na frente da casa, algo mudou em sua fisionomia e minha vontade foi a de dar meia volta e procurar a mais bela suíte de todo o continente.
A princípio, pensei que tivesse sentindo-se ofendida por eu não a levar para algum lugar à sua altura ou até mesmo achado a casa muito simples, porém, o brilho dos seus olhos escureceu e ela mergulhou num mundo só dela. Não parecia ter a ver com o tempo presente, como se ela não estivesse mais ali, mas, num lugar que nem mesmo ela podia identificar.
A princípio, pensei que tivesse sentindo-se ofendida por eu não a levar para algum lugar à sua altura ou até mesmo achado a casa muito simples, porém, o brilho dos seus olhos escureceu e ela mergulhou num mundo só dela. Não parecia ter a ver com o tempo presente, como se ela não estivesse mais ali, mas, num lugar que nem mesmo ela podia identificar.
Nesse momento, eu poderia ter dito que fôssemos embora, mas, como posso tentar conhecer uma pessoa se, a cada sinal de contrariedade dela, eu faça de tudo para que as coisas não possam aborrecê-la, ao invés de ajudá-la a enfrentar as coisas que a perturbam? Nesse caso em específico, se ela tem algum trauma, cabe a mim tentar fazê-la abrir-se e permitir que eu ajude-a. Sei que isto pode demorar dias, meses ou até mesmo anos, mas, não me importo, pois ela consegue deixar-me intrigado, tira-me do eixo, faz com que eu queira cuidar dela e ainda desperta, em mim, um lado protetor que eu nem mesmo sabia que existia.
Depois do fatídico acidente, eu passei a ter mais consciência quanto ao bem estar das pessoas, porque, antes, nem pensava nisso. Não que fosse egoísta, mas, não havia sido educado para pensar nos outros e, sim, para aproveitar a vida e preparar-me para, no momento adequado, assumir uma posição na empresa da família. Então, passei a ser mais responsável e preocupado com todos os meus funcionários e amigos. Entretanto, no que diz respeito à minha família, a situação foi diferente. Aqueles que conheci como sendo meus avós já tinham falecido, tios nunca tive porque meus pais eram filhos únicos e, quanto à minha mãe, esta é um caso à parte, uma vez que deixamos de ser próximos, no dia em que ela mostrou que a pose de mãe que ostentava era apenas um faz de conta perante a sociedade, nos moldes do que era aceitável para os padrões de seu círculo social. Ela sempre teve suas prioridades sociais... Agora, amor mesmo, esse sentimento que todos dizem ser maravilhoso, creio que ela só sentiu por si própria e por meu pai.
Com a minha quimera tudo é diferente. No mesmo momento que ela é agressiva como uma leoa, ao tentar proteger-se com suas garras, ela é manhosa como uma gatinha dengosa, pedindo colo. Parece que ela vive num conflito interno. Conheço-a tão pouco e parece que a conheço há muito tempo. Sinto uma necessidade compulsiva em levá-la a uma entrega muito além das barreiras e bloqueios comuns, na mesma intensidade que eu mesmo preciso entregar-me.
Deixei de viver relacionamentos D/S por acreditar que minhas limitações não estavam tornando possível uma relação dessa natureza como ela realmente tem que ser. Um homem que acredita ser merecedor da entrega total de uma mulher tem que estar preparado para lhe oferecer tudo o que precisa... Proteção, cuidado e não uma dominação egoísta, onde apenas o seu prazer é importante, mas também é importante o prazer que dará da sua submissa.
Com minha menina, sinto que preciso doar-me, entregar-me, fazer com que tenha confiança em mim e mostrar-lhe que vale a pena dedicar-se a mim. Tudo é muito precoce e não sou de fazer comparações entre as incontáveis mulheres que já conheci, nem entre as que tive mais tempo de relacionamento, porém, reconheço um sentimento novo, um querer mais. Não tenho vontade e nem vou chegar impondo meu desejo de conduzi-la, pois sei que ela não está preparada para transpor seus limites e, neste caso, o melhor para nós dois é superarmos, juntos, nossos limites. Como dizia um grande mentor que tive: “Um rei é preparado por seu servo, como parceiros, de forma justa, coerente e com visões conjuntas”.
Volto minha atenção para o lanche que estou preparando para nós e, por um breve momento, desisto de analisar meus impulsos sentimentais.
O Fausto, um dos meus funcionários, que veio trabalhar no apoio ao evento, fez um o favor de, rapidamente, contratar duas moças da vila para ajudar na arrumação da casa. As coisas foram feitas e providenciadas a toque de caixa, porque, na verdade, eu tinha outros planos com ela para este final de semana, mas, àquela mensagem que ela enviou ao Dom Leon, com relação a fugir de mim, uma vez mais, fez com que, num relance e no afã de a manter junto de mim, eu lembrasse-me de Bonete, um lugar lindo, onde eu poderia tê-la nos meus braços, sem medo de que ela fugisse. Venho para Ilhabela há muito tempo e aqui é um dos meus lugares preferidos, portanto, o que escolhi como meu refúgio. Para chegar até aqui, já percorri diversas trilhas como, também, já vim de barco e, embora não possa dizer que conheço este pedacinho do Éden como a palma da minha mão, por ser curioso e adepto às novas descobertas, encontrei muitos cantinhos charmosos. E, definitivamente, toda a simplicidade desta casa conquistou-me desde a primeira vez em que me hospedei aqui, em Bonete.
− Carlos!!! – ouço meu nome.
− Ficou presa novamente no banheiro, bela menina?
− Quase.
Paro na porta aberta do banheiro e fico de boca aberta com a visão dos infernos... ela está nua.
− Uau!!! Que bela recepção!
− Olha, tenho que dizer que você já foi anfitrião melhor! Ei, pode fechar a boca... já me viu nua antes, então, pare de me olhar como se estivesse vendo um fantasma.
− Uma fantasminha não muito camarada – brinco − Não gosta de me ver encarando o seu corpo gostoso?
Adoro ver o quanto apenas uma frase deixa-a vulnerável e mole, em contraste com seu ar de desafiadora.
− Para falar a verdade, prefiro que você toque meu corpo ao invés de só ficar olhando, mas, considerando-se que apenas tomei um banho “tcheco”, acho melhor nem chegar perto.
− O que aconteceu? Não tem água?
− Água tem, o que não tem é sabonete! Quando se planeja um sequestro, tem que ser executado direito, bonitão!
Lembro que ouvi o Fausto dizer que tinha deixado os produtos de higiene numa sacolinha, atrás da porta do banheiro, pois, no simples banheiro, há apenas um lavabo, um chuveiro e uma pia. Resolvo brincar com ela e fazê-lo engolir a língua grande que tem. Ela consegue levar-me aos limites.
− Quer dizer que essa bocetinha gostosa está salgada? Sempre gostei das combinações entre o salgado e o doce – fecho a porta, sério, vejo a sacola lacrada, no canto da parede, abro o botão da bermuda, descendo o zíper.
Sua respiração acelera, o que percebo pelo movimento de seu peito, que desce e sobe.
− Acho que sou um bom anfitrião, tanto que, aqui, nesta sacola, no canto da parede, tem todos os produtos de higiene de que irá precisar. Porém, como foi uma menina muito mal-educada acusando-me, antes de perguntar se tinha um sabonete, serei obrigado a provar seu sabor, antes de lavar todo seu corpo.
Sua face fica vermelha. Ela cruza os braços, por cima dos seios.
− Obrigada por me informar. Agora, pode deixar que sou grandinha o suficiente para me lavar. Se você entrar neste chuveiro, sabe o que vai acontecer e isso vai matar-me de inanição, porque estou faminta.
− Descruza os braços, linda menina! – repreendo-a − Não precisa esconder que a fome do seu corpo é maior que sua fome de comida. Os bicos dos seus seios arrepiados contam uma história de desejos. Aposto que está úmida e salgada o suficiente para eu chupar e descobrir o melhor sabor que já provei.
Vejo seus dedos moverem-se, nervosamente, e meu pau engrossa e pulsa dentro da roupa que o cobre. Pego o sabonete e os produtos de cabelo e caminho até ela, com desejo latente. Por mais dor e vontade que eu tenha de a tomar em meus braços, chego até ela e passo meus dedos por seus seios.
− Tão malditamente deliciosos – ela fecha os olhos e suspira. Aproveito sua entrega e desço os dedos por sua barriga lisa, chegando ao seu núcleo molhado. Afundo meu dedo, que desliza, livremente, de tão úmida que está.
− Uhm!!! Garanhão... – seu gemido faz-me sedento, mas, desta vez, não vou ceder ao feitiço do seu canto! Tiro o dedo de dentro dela e levo-o à boca.
− Saborosa como imaginava. O lanche está pronto, menina da pinta charmosa! Tome seu banho, que te espero na cozinha.
Saio do banheiro, mais que depressa. Acho que dei o maior fora de todos os tempos, espero que ela não associe o que falei de sua pinta com a maneira que o Dom Leon chama-a.
− Volte aqui, libertino de uma figa!!! – ouço-a reclamar, com voz baixa.
Volto para a porta do banheiro.
− A paciência é uma virtude, pequena! A propósito, sei o quanto está excitada, mas, como me disse que a fome pode deixar você muito mal-humorada, vou atender, primeiro, a esse seu apetite, mas, o outro só será saciado sob uma condição... – encaro-a, sério − não toque no seu corpo enquanto toma banho, pois também fico mal-humorado quando sei que os prazeres que me pertencem são saciados de outra maneira.
Meu sorriso de satisfação ecoa pelo estreito corredor, quando a ouço xingar-me de atrevido e pretensioso.
Ela sai do banho, enrolada na toalha, reclamando, aos quatro cantos, que foi de propósito eu não levar suas roupas. Mal sabe ela que trouxe, sim, um minúsculo biquíni, mas este... ela só vai usar amanhã.
Entro no banheiro e vejo que pendurou seu biquíni no varão da cortina do box e deixou o vestido pendurado atrás da porta.
Então é assim? Saiu de toalha só para me provocar? Ela é um pequeno diamante e sei que nunca, antes, lapidar uma pedra preciosa foi tão motivador. Tomo um banho morno, rápido, pois cada minuto longe do seu corpo é tempo perdido, que não quero e vou dar-me ao luxo de desperdiçar.
Abro a porta do banheiro, enrolo uma toalha na cintura e sigo em frente até a encontrar sentada, tentando conseguir algum sinal, nem que seja de fumaça, de celular e agradeço a Deus por estar reclusa, aqui, tendo somente a mim.
Penso em um monte de outras coisas, inclusive nos meus problemas, a fim de parecer o menos ansioso possível, porque, com ela, meu autocontrole nunca foi muito eficiente. Em outras ocasiões, sempre funcionou, porém, com ela, não tenho, definitivamente, domínio total sobre os meus desejos.
− Pronta para jantar ou prefere ir direto para a sobremesa? – estendo a mão, parado no batente da porta da sala.
Ela dá uma gargalhada.
− Isto é um encontro, bonitão? Pelo cheiro que estou sentindo, acho que cumpriu a promessa de uma deliciosa omelete, porém, se acha que pode ir direto à sobremesa, com a fome que estou, caso você faça isto, posso querer fatiar certa linguiça para comer.
− Espero que este seja um encontro muito bom. Quanto à linguiça fatiada, pode vir acompanhada de uma receita nova de sobremesa.
Ela levanta-se, arrumando a toalha frouxa que encobre o seu corpo, e, quando chega perto de mim, encarando meus olhos, solto sua toalha ao mesmo tempo que faço o mesmo com a minha.
− Não teremos barreiras separando-nos esta noite. Estaremos de cara limpa, de braços abertos e sendo apenas nós dois. Será tudo sobre nós.
− Eu imaginei, quando falou do Éden, que fosse apenas para mostrar que estaríamos no paraíso! Mas, garanhão, se for para ficarmos nus como a Adão e Eva, lembre-se que até mesmo eles usavam folhas em suas genitálias.
− Menina petulante, se quer fazer um paralelo com a história de Adão e Eva, deixo claro que só será adequada para nós no que se refere ao pecado, o qual cometeremos esta noite. Mas, agora, vamos, preciso alimentá-la... iniciemos pelo pecado da gula.
Levo-a, ao meu lado, pelo pequeno corredor, até a cozinha, tendo seus braços apoiados em meus ombros. Seus pés descalços mostram suas unhas pintadas, que realçam a nuance da sua pele azeitonada.
− Você está linda! – elogio-a para dispersar o evidente constrangimento que percebo em seus olhos baixos, ao caminhar ao meu lado.
− Que bom que gostou do meu vestido transparente. Foi confeccionado pelas mãos da natureza. Clodovil seria capaz de revirar-se no caixão de inveja, caso visse o designer de minhas vestes. E você, devo dizer, não está nada mal, só que, da próxima vez, diga ao seu estilista para aumentar o número de seu manequim, pois acredito que, quando ele tirou suas medidas, sua ereção não estava evidente, senão, duvido que ele deixaria seu membro escapar, dessa maneira vigorosa, da calça transparente.
− Obrigado – rio, divertido com a boca inteligente dela – Vou lembrar-me de substituir meu alfaiate por uma estilista gostosa, da próxima vez em que for tirar minhas medidas – queria dizer que seria perfeito caso ela fosse minha eterna estilista.
Uma toalha branca está posta na mesa, onde deixei os talheres simples que encontrei, nas gavetas do armário antigo, junto aos pratos antigos, com os cantos lascados, e os copos americanos arrumados sobre a mesa. No centro dela, improvisei um candelabro descolado, feito com a long neck que tomei, enquanto fazia nosso jantar, e usando uma vela que, claramente, já foi usada diversas vezes, considerando-se seu estado.
− Isto está incrível! Você arrumou tudo. – ela diz, sentando-se na cadeira, não esnobando a simplicidade do que improvisei.
Nosso jantar é adorável. Ela diz, brincando, que a levei do luxo ao lixo, por causa do contraste entre as duas casas em que a acolhi, da diferença das refeições e até dos banheiros. Claro que ela falou do jeito brincalhão e irreverente característicos ao modo Patrícia Alencar Rochetty de ser.
− Na casa simples, só tem cerveja para beber? Você tem intenções de me embebedar, garanhão? Porque esta é a terceira vez que você enche meu copo com essa tal de Germânica.
− Uma boa bebida, não acha? Conheço o dono da empresa e sei que ele priva muito pela qualidade do produto.
− Controlador este seu conhecido, não?
− Muito...
− Você vai contar-me, desta vez, como consegue tudo tão rápido? Não sou boba e nem acredito em gênio da lâmpada. Se tudo o que planejou para este final de semana era para acontecer com outra pessoa, eu só vou dizer que ela é a sortuda mais azarada de que já ouvi falar, sem me sentir a segunda escolha por isso. Mas, se disser que foi tudo planejado para me receber, o mínimo que vou dizer a você é que não acredito. Portanto, se não quer mesmo nenhuma barreira entre a gente, precisamos de sinceridade aqui.
Dom Leon empata foda, penso comigo. No mesmo momento em que ele ajuda, atrapalha. Como vou sair desta, agora, sem parecer um bastardo por omitir o detalhe de como planejei tudo?
− Para conseguir tudo isto, precisei parar a produção de uma empresa inteira e colocar todos os funcionários trabalhando, no intuito de você aceitar ficar ao meu lado um pouquinho. Tive, ainda, que invadir o sistema operacional da NASA! – sorrio, debochado – E o pior, é que até mesmo vendi um rim no mercado negro, fazendo um médico sair de dentro do centro cirúrgico para extraí-lo...
− Ok, então, conte-me, agora, o conto da carochinha! – ela diz, rindo – Se um dia sua empresa começar a ir mal, pode escolher a profissão de comediante.
− Não acredita que vendi um rim? Pois deveria... Foi mais fácil conseguir tudo isto do que descobrir o seu nome completo, há dois anos atrás. Você não imagina a quantidade de pauzinhos que eu precisei mexer só para conseguir os nove números que separavam o meu “Alô” de sua voz. E o que recebi? Uma linda menina fugindo de mim todas as vezes em que a procurei! Pareciam dias infindáveis! O dia em que descobri o seu endereço, criei mil expectativas de um encontro e fui tão cheirosinho visitar você... – brinco com a situação – embora, apesar de você não me receber, devo confessar que o show que assisti foi um tesão – mordo o lábio, lembrando – Mas, como sempre, foi broxante, porque não me permitiu chegar perto de você – mudo o foco da conversa.
Ela não responde. Da mesma maneira como nos sentimos à vontade em falar do presente, existe uma barreira em falar do passado e do futuro. Ela não pergunta nada, sobre quem fui, sobre o que gosto e nem mesmo sobre minha vida. Em todas as nossas conversas, fica bem claro que, para ela, somente o presente importa.
− Você sempre morou em São Paulo? – faço uma pergunta banal.
− Imagina, fui criada em Ajuricaba, lá onde o mundo acaba – esta resposta é a única, no meio de tantas outras, que ela não foge, mudando de assunto.
− Deve ser um lugar encantador, porque, mesmo num lugar onde o mundo acaba, nasceu a mais linda flor que conheci. Com alguns espinhos, é claro... – acrescento, enquanto mordo um pedaço da omelete − ... mas, ainda assim, a mais linda flor.
− Você sempre é romântico e direto ou só hoje, para fazer bonitinho?
− O romantismo incomoda você? Já conheci mulheres que, na hora do sexo, tem medo de se sujar, parecendo até que nunca ouviram o comercial do sabão em pó Omo, cujo slogan é: “Se sujar faz bem”! Conheci outras que detestam desmanchar o penteado, ou até mesmo molhar o cabelo, para não estragar a chapinha, mas, que não gostam de ser elogiadas você é a primeira.
− O romantismo não me incomoda nem um pouco. Para mim, principalmente quando há sentimentos envolvidos, é lindo de se ver! O que não é o nosso caso. Então, não precisa elogiar-me tanto.
− O que faço com essa língua afiada?
− Poderia sugerir-lhe várias coisas.
− Fale-me uma delas! Vou adorar saber o que essa língua lisa e macia é capaz de fazer.
− Tudo tem um caráter erótico para você, né, garanhão?
− Resposta errada. Estou aqui, de pau duro, só imaginando o que você vai dizer que essa língua é capaz de fazer.
Ela fica linda quando é pega de surpresa. Uma onda de luxúria envolve nossos olhares.
Não sei exatamente como agir com ela, apenas desejo, por agora, mostrar um pouco do que sou e tudo o que me faz bem. Mostrar um pouco o lado D/S, mas, preciso fazer isso sem assustar. Sendo assim, amarrei faixas de seda, na cabeceira da cama, de modo a sobrar seda para amarrar seus pulsos, mas, não da forma convencional.
− Satisfeita? – pergunto, assim que terminamos de comer.
− Satisfeitíssima.
Levanto-me e começo a tirar as coisas da mesa. Ela acompanha-me e, juntos, organizamos tudo. De vez em quando, esbarramos, um no outro, de propósito. As mãos encontram-se, algumas vezes, quando, então, faço questão de mostrar a ela o quanto me afeta em todas as vezes em que encara a minha ereção evidente. Não consigo mais conter meus instintos, despertados por sua proximidade, e puxo-a para meus braços.
− Quero que você confie em mim, hoje, deixando suas reservas um pouco de lado e sendo minha por esta noite.
− Sua?
− Sim, Patrícia! Minha... somente minha.
− Fala mais, com esta voz rouca sedutora, que estou quase convencida.
Aperto-a mais, junto ao meu corpo, dou-lhe um beijo na testa e disparo:
– Adoro o seu cheiro – outro beijo na face – Adoro seu sabor... tem certeza de que ainda não está convencida?
− Ainda não estou convencida, principalmente porque, em função desse seu pedido, não consigo deixar de me lembrar do que uma grande amiga costumava dizer-me quanto a isso, ou seja, que eu jamais deveria ser de alguém, nem que fosse apenas por uma noite.
Acho graça sua voz sussurrada contradizer suas palavras.
Mordo o lóbulo da sua orelha, falando, baixinho:
– E é isso que você quer agora? Que sua amiga tenha razão e comande os desejos do seu corpo?
Nossos olhos encontram-se. Percebo-a sem fôlego e levo minha boca até a dela, envolvendo sua nuca com a minha mão. Minha língua dança no seu lábio inferior.
− Não. A única coisa que consigo pensar, agora, é em me entregar completamente e ser sua por apenas esta noite, sem que haja amanhã – mais uma vez, ela insiste em posicionar nosso relacionamento somente no presente.
− Prometo que será tudo para você. Sinta o quanto te desejo – esfrego minha ereção, nua e latejante, em sua pélvis – Venha, linda menina!
Antes mesmo de entrarmos no quarto, percebo que minha vontade é a de prender os seus lindos pulsos na cama, mas, isto, sei que ela não me permitiria... ao menos, não ainda.
Então, beijo-a, sofregamente, até chegarmos ao quarto. Nossas línguas dançam, na mesma sintonia. Nossas peles unem-se e o desejo latente queima todo o sangue que atravessa as veias do meu corpo. De costas para a cama, deslizo minhas mãos pelo seu corpo, aproximando o meu peito até que toque seus seios, mas, nada é o bastante quando se trata dela. Minha gana insana por ela é tão intensa, que parece que quero absorvê-la para dentro de mim. Seguro seu queixo, com força, olho-a intensamente, como se a mostrar para ela que não pode fugir de mim e que, embora ainda não saiba, ela é minha e não vou abrir mão dela enquanto sentirmos esta atração sem limites. Beijo seu pescoço, mordo seu ombro e tenho vontade de explorar cada pedaço do seu corpo.
− Minha menina, vamos fazer uma brincadeira e testar seus limites – digo, deitando-a, na cama de ferro, e cobrindo seu corpo com o meu.
− Vamos descobrir até que ponto você consegue controlar-se diante de mim – puxo as fitas de seda amarradas na cabeceira – Não vou amarrar os seus pulsos, porém, você vai prometer que vai segurar as fitas, as quais não poderá soltar até que não aguente mais conter seu prazer e, então, sentir a necessidade de as largar. Mas, se soltar as fitas por qualquer outro motivo, pararemos a brincadeira.
Ela mostra ter entendido e concorda com a cabeça.
– Garanhão, só de não querer amarrar-me faz-me sentir segura diante desta brincadeira safadinha. Tenho que ser honesta em dizer que ficar contida, seja pelo que for, desperta uma reação ruim, mais forte do que eu e não penso que seria fácil vencer isso...
A despeito dessas suas palavras, tenho muitas esperanças de atingir meu objetivo, além de mantê-la presa por vontade própria, que é o de fazer com que, aos poucos e com paciência, ela goste de tudo, apreciando o que faremos com desejo e prazer. Sua aceitação ao que proponho motiva-me a depositar leves beijos por toda a extensão de seu pescoço, percorrendo cada centímetro da sua pele macia e perfumada. Manter o autocontrole diante dela é cada vez mais complicado, em função do desejo que sinto não só por ela, mas, também, por querer amarrá-la para valer e devorá-la sem dó. Essa compulsão grita, dentro de mim, mas, sei que, se fizer isso antes dela sentir o quanto tudo pode ser bom, colocarei tudo a perder e ela sairá correndo, porta afora, chamando-me de sádico, o que, definitivamente, não sou. Ser um dominador não é sinônimo de ser sádico, embora muitos dominadores o sejam, o que não é o meu caso.
− Patrícia, feche os olhos e ouça a música que colocarei, que chama Viveme. Ela é o primeiro passo para você conhecer um pouco de mim. Apenas ouça, pequena! Volto em um minuto − aperto minha playlist, no celular, selecionando a música que mostrará a ela o que preciso que ela compreenda, neste momento (http://www.vagalume.com.br/laura-pausini/viveme-feat-alejandro-sanz-traducao.html).
Vou até a cozinha, abro o congelador da antiga geladeira e pego cubos de gelos. Sei que já despertei seus sentidos com o contraste entre o frio e o calor sobre seu corpo, ontem à noite, mas, desta vez, tem um novo sentido... O sentido da superação, da entrega e da submissão que anseio dela. Não quero ser opressivo, impondo algo a ela. Se ela tiver que se entregar, de corpo e alma, ao mundo que aprecio, terá que ser por vontade própria, de maneira consensual. Sei que ela pode vir a não gostar e é um risco que estou correndo, mas, não estou muito certo se abrirei mão dela caso isto ocorra. Ficar sem essa mulher enquanto este desejo incomensurável existe não é uma opção! Na verdade, tenho muitas dúvidas se serei capaz disso, porque, não posso negar, ela foi a única mulher que conseguiu fazer-me atingir esse nível de prazer sem qualquer prática D/S envolvida.
Minha ideia básica é estimular suas terminações nervosas com o gelo. Há partes do corpo que possuem pontos muito sensíveis a temperaturas mais baixas e é por isso que é muito bom o uso do gelo durante o ato sexual. A musculatura e a pele, em determinadas regiões sensíveis, também ficam mais rígidas, o que proporciona muito mais prazer. Fecho o congelador com esta ideia em mente. Quando vou virar-me para voltar ao quarto, a porta do refrigerador abre sozinha. Fecho-a, mas, ela abre, de novo, como uma criança teimosa e birrenta. Abro a porta de vez, para conferir qual é o problema e as latas de cerveja que vejo lá dentro dão-me uma excelente ideia.
Vamos ter uma excelente cerveja na bundinha, minha pequena! – penso comigo, divertido. Cerveja na bundinha é o nome que se dá para a mistura da bebida com sal e limão. Dependendo do local do país, esta combinação deliciosa recebe outros nomes.
Volto ao quarto, torcendo para que ela tenha permanecido de olhos fechados. E dito e feito, ela canta a música baixinho, repetindo o refrão, esparramada na cama, segurando as fitas e fazendo uma espécie de dança com os braços.
Me viva sem medo agora
Que sea una vida o sea una hora
Mesmo que todo o mundo esteja contra
Deja la apariencia y toma el sentido
Deixa a aparência para lá e preste atenção em sentir
Y sientelo que llevo dentro
E sinta o que levo dentro
− Usted es la más bella vista del cielo (Você é mais bela visão do céu) − digo as palavras, baixinho, debruçando-me sobre ela e depositando um beijo carinhoso em suas mãos, que seguram as faixas presas à cabeceira da cama.
− Usted es el más provocador de todos los tempos (Você é o maior provocador de todos os tempos) – ela diz, com uma voz rouca e baixa, que me deixa enlouquecido. Uma vez mais, tenho que fazer uma força hercúlea para manter meu autocontrole e não desistir das minhas intenções, simplesmente tomando-a, com todo o tesão que estou sentindo, sem lembrar que existe amanhã... Respiro fundo e digo:
− Então, acha-me o maior provocador de todos os tempos? Isto é um elogio, hermosa? Nuestro juego comenzará ahora...
− Veja bem o que vai fazer, garanhão! Você não tem a mínima ideia da enorme concessão que faço a você, permitindo-lhe fazer isso... se me conhecesse, teria uma vaga noção da briga interna gigantesca entre minha razão e emoção. Por favor, não faça nada que seja violento ou que me cause dor, pois não sei se aguentaria...
Ela fala de uma maneira tão vulnerável que, na hora, sinto como se uma mão apertasse meu coração, causando-me uma sensação estranha e despertando-me uma vontade imensa de apenas protegê-la de tudo... Uma vez mais, recorro ao meu autocontrole, que vem sendo constantemente desafiado por essa minha deliciosa e fascinante quimera, e silencio-a colocando um dedo em seus lábios, que a danada, na hora, lambe e tenta levar para o interior de sua boca gostosa... Pai, dai-me força para resistir a essa bomba explosiva de tesão que é esta menina!
− Shhh!!! Confie em mim e vamos viver o momento... – minha voz sai meio que estrangulada e ofegante, coisa não muito comum a mim numa situação dessas.
Uma doce expectativa invade-me ao tentar mostrar-lhe como tudo tem que ser puro e real. Ser o primeiro e único a fazer isso para ela deixa-me radiante e meu pau endurece, cada vez mais... na verdade, pulsa como nunca ao vê-la tão receptiva a conhecer algo novo, segurando a fita com firmeza. A curiosidade com que olha cada movimento meu, assim como meu corpo nu, deixa-me orgulhoso e meu lado dominador grita, com força, que não pode mais esperar para fazê-la minha. Uma vez mais, sinto aquele desejo de absorvê-la para dentro de mim, de onde ela nunca mais possa escapar. Isto é muito diferente da minha comum sensação em situações como esta, em que, claro, sinto desejo, embora nem de longe como o que sinto por ela, mas, o que predomina em mim, são meus instintos de caçador e dominador. Mas, querer algo como incorporar uma mulher a mim, trazê-la para meu interior, de onde nunca mais deixarei sair, tudo isso misturado com uma ternura que parece que vai sufocar-me... não, definitivamente, isso nunca me aconteceu! Reajo, com vigor a tudo isso.
− Feche os olhos, pequena! – deslizo os dedos por suas pálpebras, levando a escuridão para suas pupilas dilatadas de desejo – Desta vez, você terá uma venda invisível em seus olhos, onde será impossível para a luz penetrar e apenas o tesão será permitido estar presente em cada emoção do seu corpo, quando sentir o meu toque.
Sua respiração acelera, seu peito sobe e desce, demonstrando o quanto está ansiosa. Pego uma fatia do limão, passo-a sobre o sal e abro a lata de cerveja. O som do lacre rompendo assusta-a.
− Olha só, esta venda imaginária invisível vai ser retirada, fazendo tudo real e visível caso você não me conte o que acabou de abrir. Ah, vamos combinar que, por mais erótico que possa ser tudo isto, um saquinho de camisinha não faria este barulho, como a pressão de algo sendo aberto.
− Se for levar em conta a forma como meu pau está explodindo de desejo de foder sua boceta, neste momento, o barulho do pacote da camisinha seria muito mais ensurdecedor pelo meu desespero e pressa. Mas, por agora, vou dizer, novamente, que só preciso que confie em mim. E, se quer continuar a brincadeira, apenas fale quando for para gritar de prazer o meu nome ou para dizer que não quer mais. Fique quietinha e não interrompa mais o momento, senão, serei obrigado a colocar uma mordaça verdadeira em sua boca.
− Só o seu nome é que posso gritar de prazer? Não posso nem dar uns gemidos desvairados e chamar por Deus? – ela provoca, sorrindo com aquela boca doce e tentadora.
Prefiro não responder e partir para a ação, passando o limão com sal em seus lábios, com uma mão, enquanto com a outra tomo um gole da cerveja e beijo-a faminto. Ela lambe meus lábios e sussurra entre os dentes, sedenta. Deslizo a lata gelada por seu pescoço e rodeio o fundo da lata em seus bicos duros, prontos para eu chupar. Derramo um pouco do líquido gelado entre seus seios, que escorre por sua barriga. Ela arqueia o corpo ao encontro da minha língua, que suga cada gota que escorre, totalmente excitada e arrepiada.
Não contenho o sorriso ao perceber que, apesar de tudo, ela não solta as amarras e continua segurando-as como se realmente estivesse amarrada.
Cada respiração ofegante cada gemido seus deixam-me com mais vontade de satisfazer minha menina. Custo a acreditar que, finalmente, ela permite-me mostrar um pouco do meu mundo pessoal para ela. Devo ser honesto quanto ao fato de nunca ter alimentado a ambição de fazer dela uma submissa, não apenas porque sei que, dificilmente, ela permitiria isso, mas, porque o que desejo dela, de fato, é que seja a mulher que entenda e corresponda aos meus desejos. Na verdade, reconheço que, pela primeira vez, em toda a minha vida, estou disposto a fazer concessões para ter uma mulher em meus braços. E o mais interessante disso tudo, é que não me sinto nem um pouco frustrado ou menos satisfeito, sexualmente dizendo, por fazer isso... não com ela!
Meu coquetel está delicioso! Deslizo o limão com sal por sua pele lisa que, com o contado áspero, fica com um rastro avermelhado. Alivio cada mancha com o líquido borbulhante gelado, oriundo da mistura da cevada com o gás carbônico, chupando tudo intensamente e com furor, a ponto de meus lábios estalarem em sua pele, marcando-a. Chego à altura de suas pernas e ela respira, ainda mais forte, quanto abro, com meu corpo, lentamente, suas coxas, repetindo o gesto, esfregando, aliviando e chupando, aproximando-me, sempre mais, de sua virilha. Ela geme, impaciente, e se contorce, sussurrando bem baixinho.
− Por favor, Carlos!
Ah, meu pai! Por esta eu não esperava. Ela suplicar por mim sem que eu pedisse para que ela fizesse isso. Olho para seu rosto e vejo que seus olhos continuam fechados e, diante a necessidade incontrolável de ver o que eles expressam, ordeno, com voz autoritária, sem nem mesmo perceber:
− Abra os olhos, agora, Patrícia, e diga, olhando para mim, o que precisa.
Surpreendentemente, ela faz o que eu mando, sem se revoltar com minha voz de comando, como quem está prestes a implorar, e diz, incluindo um detalhe que me faz enlouquecer, mesmo que eu sinta uma pontada de sarcasmo em sua voz...
- Por favor, meu amo e senhor dos meus desejos, toque-me e permita-me sentir sua língua a me explorar...
Nunca, em todos os meus anos de dominação, tais palavras foram tão doces como agora e despertaram um fogo tão grande em mim, uma coisa que foi queimando desde a ponta do meu pé, passando por todo o meu corpo e chegando até meu último fio de cabelo! Esta mulher ainda vai ser a minha completa perdição!
Respondendo ao seu pedido, não me faço de rogado e lambo o fluxo de seu néctar, que sai, profusamente, de sua vulva. Tomo seu mel, faminto, que é meu, por direito! A forma que ela presenteia-me com seu sabor deixa-me ainda mais ligado a ela.
Sempre soube que representamos um verdadeiro perigo um ao outro e, mesmo assim, mantive a firme determinação de fazer dela a minha menina, mas, ainda não tenho a certeza quanto ao tempo que ela está disposta a permanecer ao meu lado e até onde seus limites podem ser estendidos.
Sem falsa modéstia, sei que nunca uma menina deixou meus braços insatisfeita, mas, para ela, quero proporcionar muito mais do que uma mera satisfação dos sentidos, quero dar-lhe um pouco do paraíso e que esta sensação acompanhe-a para muito além de nosso contato sexual, fazendo com que fique em estado permanente de “graça”.
Ela não consegue conter-se quando chupo seu brotinho inchado, sugando, com seus lábios carnudos, meus dedos dentro dela, que tocam cada glândula que envolve suas paredes internas... ela vira uma seda em minhas mãos e eu, sem cerimônia, aposso-me de toda a sua região deliciosamente pecaminosa e farto-me, sem noção de tempo e espaço, na exploração e posse de todo o seu território delicioso. Lambo, chupo, sopro, provoco e invado-a, sem ter a menor noção do tempo, até que minha boca e língua sentem, degustam e agradecem pelo gozo que ela proporciona-lhes. Seu delicioso sabor ficará para sempre gravado em minha memória... como é doce, gostoso e enlouquecedor! Fico tão satisfeito ao perceber que, apesar de seu inegável e incontrolável desejo, revelado por seus gemidos e gritos de prazer, ela não solta, em momento algum, as fitas.
Seus olhos brilham e ela parece perdida em si mesma.
− Tudo bem, minha pequena menina? – pergunto-lhe, sussurrando, ainda inebriado por seu gosto em minha língua.
Ela apenas acena com a cabeça, dizendo que sim, com as bochechas vermelhas de exaustão. Dando, por hora, encerrada esta parte da minha exploração, subo até ela e beijo seus lábios. Ela, surpreendentemente, continua faminta e parece querer devorar-me, como se estivesse com o mesmo estranho desejo que tenho de sugá-la para dentro de mim. Ela, da mesma forma, parece querer levar-me completamente para seu interior e isso deixa-me meio insano para marcá-la e penetrar, com toda a força do meu ser, em seu interior, satisfazendo-a em seus desejos.
Pego seu queixo, com a mão trêmula, encarando seus olhos.
− O que deseja, linda menina?
Ofegante, intensa e arquejante, ela solta o que, tenho que reconhecer, acaba com qualquer resquício de autocontrole que eu ainda mantive.
− Quero ser sua menina, pequena, quimera ou o quer que você deseje... Por favor... Faça-me sua... Preciso tanto de você e quero sentir que me deseja tanto quanto eu desejo você.
E ela desaba como se isso tivesse levado todas as suas forças embora e ela estivesse a se render ao meu poder. Sem qualquer preocupação com meu descontrole ou com mascarar minhas emoções, só posso dizer, com muita dificuldade:
− Vou enterrar meu pau em você, com tanta intensidade, que você mal se lembrará do seu próprio nome. Não existirá nem tempo nem espaço para nós, apenas nós dois, unidos e envolvidos completamente um no outro...
Definitivamente, não apenas não preciso como não consigo dizer mais nada. Mal me lembro de colocar uma camisinha em meu pau, que vibra e parece que vai estourar de tanto tesão. Tomo seu corpo, com desejo, enfiando fundo, como se não houvesse linha de chegada. Estimulo seu clitóris, com leves beliscões torcidos, e esfrego movimentos circulares, enquanto começo a entrar e sair dela, lentamente, acelerando a cada segundo e atingindo um ritmo alucinante, até que ela goza, novamente, e implora para que eu perca-me dentro dela. Pedido este, na verdade, desnecessário, porque o ritmo alucinante dos meus movimentos e a sensação de seu corpo no meu, fazem a cama de armação de ferro ranger, até que gememos juntos, numa deliciosa sinfonia de prazer.
A sensação de ter minha menina perdida e entregue a mim, ou, na verdade, especificamente esta menina, desperta desejos que não imaginava poder sentir por alguém, um dia.
− Vem comigo, pequena, goza no meu pau duro, que te fode gostoso − ela ouve minha voz, seu corpo arqueia-se, entregando-se a mim, acomodando, cada vez mais, meu membro dentro dela, como se ali fosse seu lugar por excelência, o que pertence exclusivamente a mim – Explode, agora, minha quimera! – ao som desse último comando, ela goza, de novo, junto comigo, que deixo jorrar todo o meu prazer, que explode, em jatos, dentro da camisinha.
Aperto-a, em meus braços, e estudo seu rosto. Ambos estamos trêmulos e desfalecidos. O suor prende fios de seu cabelo em sua testa, sua respiração está ofegante e suas mãos continuam acima da cabeça, segurando as fitas. Enlaço meus dedos aos seus, massageando as juntas vermelhas.
− Já pode soltar as fitas, pequena! – abaixo seus braços, esfregando minhas mãos por toda extensão deles, aliviando seus músculos doloridos − Nesta brincadeira, considere-se vitoriosa! Você foi a mais linda ganhadora, parecendo que nasceu presa às fitas... – ela foi fodidamente perfeita, como ninguém que vi antes!
Meu pênis mexe com esse pensamento e tenho consciência de que não consigo fartar-me dela nunca! O que está acontecendo comigo? Sempre estive no controle e, por mais doce que fosse o pedido de uma linda menina, nunca o controle fugiu das minhas mãos...
Mas, não com a minha linda quimera... definitivamente, não com ela. A primeira vez em que a toquei, o descontrole dominou-me e, mesmo me esforçando para ser neutro, apenas seu olhar provou-me que não era imune aos seus encantos. Meus instintos mostram-me que ela tem, sim, uma alma submissa, mas, eternamente restrita a quatro paredes, nunca além delas. A forma como ela entregou-se, durante ao clímax, com doces gritos, chupando meus lábios e implorando por mais, e a confiança e coragem ao segurar as fitas, bravamente, são dignas de uma guerreira submissa. A submissão está além da entrega, ela emerge da alma, com controle, sendo que, mesmo o dominador conduzindo-a ao prazer, sua bravura é que determinará o momento certo de explodir. Ilude-se o homem que acredita que está no controle.
E esse controle já não possuo mais, mesmo, se é que ele existiu com relação a ela, que conseguiu ofuscar qualquer mulher que já tenha passado por minha vida e, até mesmo, que um dia poderá passar.
− Não acredito ter sido vencedora deste jogo, mas, posso garantir a você, garanhão, que os prêmios desta brincadeira foram os mais prazerosos que já tive em toda a minha vida! E, para falar a verdade, não estou nem um pouco preocupada em vencer ou perder qualquer jogo entre nós dois, porque isso não tem qualquer importância para mim diante do que você faz-me sentir. Penso que, quando duas pessoas chegam ao ponto a que chegamos, têm que ser bastante honestas para viver o que sentem no momento, sem considerar quaisquer pensamentos que não estejam voltados ao prazer e aos desejos que não precisam ser explicados ou avaliados.
Sua confissão tira-me completamente do eixo! Eu esperaria um suspiro, uma resposta afiada ou até mesmo provocadora, mas, não palavras tão honestas, pronunciadas com tamanha intensidade de carinho. Ela pega-me de surpresa e meus instintos levam-me a abraçá-la com mais força e beijar sua testa com uma ternura que, acho, nunca experimentei em toda a minha vida. Sem que possa controlar, um medo do que possa acontecer ou, na verdade, não acontecer entre nós, por causa dessa maldita mania dela em querer fugir e de se negar a qualquer ideia de um relacionamento mais duradouro, faz-me ficar inseguro e, confesso, sinto-me a própria tristeza em pessoa, como se estivesse na iminência de perder tudo o que poderia ter, porque ela não tem coragem de dar uma chance para que tenhamos um tempo para eu descobrir o que sinto e ela de se arriscar a algo mais profundo e sério do que uma ou duas noites de sexo.
Sem poder evitar, lembro-me de um show do Elton John, que assisti, em Londres, quando ele cantou uma música que, na época, não consegui captar bem o sentido. A melodia soa em minha cabeça, enquanto a aconchego em meus braços e, ao som do embalo dessa música (http://www.vagalume.com.br/elton-john/i-guess-thats-why-they-call-it-the-blues.html), em meus pensamentos, usufruo deste momento, em que ainda posso tê-la, em meus braços, sem que haja amanhã.

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