segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Provocante

*Provocante*

Eles a chamavam de Rosa Escarlate.

Quando o nome dela era anunciado em tons sensuais, quase respeitosos, no Leather and Lace, um clube exclusivo para cavalheiros, um silêncio maravilhado começava a deslizar pela multidão. O cômodo ficava mudo, a conversa barulhenta dava lugar a uma expectativa silenciosa.

Empresários com camisas abertas nos colarinhos interrompiam seu flerte sussurrado com as garçonetes usando minissaias pretas e blusas minúsculas.

Todos os participantes de uma despedida de solteiro retornavam às suas mesas, acotovelando o noivo para que assistisse e lamentasse. Homens solteiros, que vinham toda semana apenas para assistir a ela, voltavam a se sentar nas poltronas fofas de couro preto e olhavam extasiados para o palco através de olhos semicerrados. Logo o tilintar do gelo nos copos deles era o único som no ambiente luxuriosamente nomeado, até as garçonetes sabiam que não se deveria interromper a clientela quando Rosa estava no palco.

Ela dançava apenas duas vezes por semana, aos  sábados e domingos, e desde a noite em que começara ali, Rosa Escarlate se tornara uma das atrações mais renomadas na cena noturna de Chicago. Porque, enquanto a cidade estava há muito acostumada a dançarinas sem emoção tirando suas roupas e girando sob a batida pesada da música sensual, eles simplesmente não tinham visto nadacomo ela.

Ela não era sem emoção; era elegante. Seus traços delicados e curvas naturais faziam todos os homens que a viam se perguntar como seria tocar aquela pele macia.

Ela não tirava a roupa… ela se despia. Lentamente. Sedutoramente. Como se tivesse todo o tempo do mundo para dar prazer a um homem. Ela não girava, ela requebrava, movimentando-se com uma graça fluida.

Todos os gestos, todas as voltinhas eram um convite para olhar para ela.

A vibração dela não era sexual, era sensual, erótica e expressiva o suficiente para fazer um homem fechar os olhos e percebê-la. Embora, é claro, quando estivesse no palco, ninguém nunca fechasse os olhos.

Enquanto o trabalho dela poderia diminuir algumas mulheres aos olhos daqueles ao redor, Rosa o dominava, assumia e erguia a um nível artístico em vez de pura excitação sexual.

Ela gostava do que fazia. E eles gostavam de vê-la.
A batida baixa e abafada de um número fumegante começou, porém o palco permaneceu escuro enquanto os assistentes posicionavam uma cortina vermelha de cetim usada. Usada apenas por ela. Havia sido uma adição recente por parte do gerente, que percebera que o clima classudo da artista eraparte do apelo da Rosa Escarlate. Assim como o mistério dela.


Enquanto a maioria das outras dançarinas do clube se apresentava sob luzes intensas acima de suas cabeças e em exposição total, Rosa dançava sob sombras e poças de iluminação proporcionadas por holofotes precisamente cronometrados. A máscara de veludo vermelho nunca lhe abandonava o rosto.

Muitos imaginavam que o gerente estava brincando com a popularidade da aura de mistério que cercava Rosa.

Finalmente, a música ficou mais alta, e os holofotes gelificados, cuja cor variava de um tom de rosa suave ao vermelho-sangue, iluminaram o palco, movimentando-se para frente e para trás, cada um deles tocando brevemente em um ponto: a junção da cortina de cetim fechada.

– Agora, para o deleite de seus olhos – disse uma voz masculina suave, no sistema de som –, a flor perfeita de Chicago, a Rosa Escarlate.

Ninguém aplaudiu ou cochichou. Ninguém se mexeu. Todos os olhares estavam sobre o centro da cortina, de onde a mão começou a emergir.

Era branca. Delicada, com dedos longos e pulso esguio. Havia um desenho colorido, pintado no corpo, iniciando na ponta de um dedo, como uma folha minúscula. Estava ligado a uma videira, que envolvia a mão dela, em volta dopulso. Quando o braço emergiu, mais da videira frondosa, completa, com espinhos afiados, foi revelada. O desenho cintilava, sensual e perverso, sedutor e perigoso....



Disponível na nossa Biblioteca
Hétero, L. Kelly

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