Eles a chamavam de Rosa
Escarlate.
Quando o nome dela era
anunciado em tons sensuais, quase respeitosos, no Leather and Lace, um clube
exclusivo para cavalheiros, um silêncio maravilhado começava a deslizar pela
multidão. O cômodo ficava mudo, a conversa barulhenta dava lugar a uma
expectativa silenciosa.
Empresários com camisas
abertas nos colarinhos interrompiam seu flerte sussurrado com as garçonetes
usando minissaias pretas e blusas minúsculas.
Todos os participantes
de uma despedida de solteiro retornavam às suas mesas, acotovelando o noivo
para que assistisse e lamentasse. Homens solteiros, que vinham toda semana
apenas para assistir a ela, voltavam a se sentar nas poltronas fofas de couro
preto e olhavam extasiados para o palco através de olhos semicerrados. Logo o
tilintar do gelo nos copos deles era o único som no ambiente luxuriosamente
nomeado, até as garçonetes sabiam que não se deveria interromper a clientela
quando Rosa estava no palco.
Ela não era sem emoção;
era elegante. Seus traços delicados e curvas naturais faziam todos os homens
que a viam se perguntar como seria tocar aquela pele macia.
Ela não tirava a roupa…
ela se despia. Lentamente. Sedutoramente. Como se tivesse todo o tempo do mundo
para dar prazer a um homem. Ela não girava, ela requebrava, movimentando-se com
uma graça fluida.
Todos os gestos, todas
as voltinhas eram um convite para olhar para ela.
A vibração dela não era
sexual, era sensual, erótica e expressiva o suficiente para fazer um homem
fechar os olhos e percebê-la. Embora, é claro, quando estivesse no palco,
ninguém nunca fechasse os olhos.
Enquanto o trabalho
dela poderia diminuir algumas mulheres aos olhos daqueles ao redor, Rosa o dominava, assumia e erguia a um nível artístico em vez de
pura excitação sexual.
Ela gostava do que
fazia. E eles gostavam de vê-la.
A batida baixa e
abafada de um número fumegante começou, porém o palco permaneceu escuro
enquanto os assistentes posicionavam uma cortina vermelha de cetim usada. Usada
apenas por ela. Havia sido uma adição recente por parte do gerente, que
percebera que o clima classudo da artista eraparte do apelo da Rosa
Escarlate. Assim como o mistério dela.
Enquanto a maioria das
outras dançarinas do clube se apresentava sob luzes intensas acima de suas
cabeças e em exposição total, Rosa dançava sob sombras e poças de iluminação
proporcionadas por holofotes precisamente cronometrados. A máscara de veludo
vermelho nunca lhe abandonava o rosto.
Muitos imaginavam que o
gerente estava brincando com a popularidade da aura de mistério que cercava
Rosa.
Finalmente, a música
ficou mais alta, e os holofotes gelificados, cuja cor variava de um tom de rosa
suave ao vermelho-sangue, iluminaram o palco, movimentando-se para frente e
para trás, cada um deles tocando brevemente em um ponto: a junção da
cortina de cetim fechada.
– Agora, para o deleite
de seus olhos – disse uma voz masculina suave, no sistema de som –, a flor
perfeita de Chicago, a Rosa Escarlate.
Ninguém aplaudiu ou
cochichou. Ninguém se mexeu. Todos os olhares estavam sobre o centro da
cortina, de onde a mão começou a emergir.
Era branca. Delicada,
com dedos longos e pulso esguio. Havia um desenho colorido, pintado no corpo,
iniciando na ponta de um dedo, como uma folha minúscula. Estava ligado a uma
videira, que envolvia a mão dela, em volta dopulso. Quando o braço
emergiu, mais da videira frondosa, completa, com espinhos afiados, foi revelada.
O desenho cintilava, sensual e perverso, sedutor e perigoso....
Disponível na nossa Biblioteca
Hétero, L. Kelly

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