Bárbara
Sai do restaurante com a alma lavada. Definitivamente, agi da melhor forma possível, vim até aqui e vê-lo, escutar a ladainha, e ainda saber que ele usou a "pobre" da tal da Nicole. Não deveria sentir pena da moça, mas é inevitável, ela também foi vitima do Caio. Quer saber? Ela me fez um baita de um favor.
Quando resolvi ligar, dá uma chance de explicar, pensei que xingar de todos os nomes ruins possíveis iria me deixar leve, mas fala a verdade, é deixar bem claro que não o amo mais, ou até pior, que provavelmente nunca o amei, que não passou de ilusão do meu coração, foi libertador! Apenas me arrependo por ter deixado me beijar, mas aquele foi o arremate final, quando sentir os lábios juntos ao meu, não houve choque, faísca, absolutamente NADA. Muito diferente da sensação que tive com o Marco. Sinto tanta falta de seus beijos, do seu carinho, é como se nos conhecêssemos há muito tempo. Queria tanto que eles me procurasse. Acho que estou carente!
Ao entrar no meu carro, tento não deixar o baixo astral me pegar, colocou uma música que se encaixa perfeitamente no meu momento, e como forma de extravasar, começo cantar:
Let Me Go (Deixe-me Ir)
Love that once hung on the wall
O amor que uma vez esteve pendurado na parede
used to mean something
Costumava significar algo
But now it means nothing
Mas agora não significa nada
The echoes are gone in the hall
Os ecos sumiram no corredor
But I still remember the pain of December
Mas eu ainda me lembro
the pain of December
A dor de dezembro
Oh there isn’t one thing left you could say
Oh, não há nada que você poderia dizer
I’m sorry it’s too late
Sinto muito é tarde demais
I’m breaking free from these memories
Eu estou me livrando destas memórias
Gotta let it go Just let it go
Tenho que deixá-las ir, apenas deixe-as ir
I’ve said goodbye Set it all on fire
Eu disse adeus, ateei fogo em tudo
Gotta let it go Just let it go
Tem que me deixar ir, apenas deixe-me ir
Entro em meu apartamento, e me sinto em paz. E como o meu encontro com o Caio foi um fiasco, no sentido de comida, me arrependo de não ter pedido nada para comer, pois o D.O.M é simplesmente divino.
O que resta é, colocar uma comida congelada no microondas, e beber um bom vinho, para compensar a má qualidade alimentar. Com a quantidade de calorias que tem nesse pratinho de lasanha, amanhã vou ter que correr no mínimo 10km na esteira.
Quando o microondas apita, avisando que meu "saboroso" prato está pronto, meu estomago agradece, pois não parou de roncar. Me esparramo no sofá, e aproveito a leseira que me apetece depois de comer feito uma morta de fome, e beber três taças de vinho.
Ainda sonolenta, junto as forças, os sapatos largados na sala, e sigo para tomar um banho e ter uma linda noite de sono.
Assim que saio do chuveiro, ouço meu celular tocar.
- Puta merda, deve ser o Caio, aquele ali não aceita perder, se for ele, amanhã mesmo vou providenciar a mudança de número.
E ainda praguejando feito uma velha rabugenta, me surpreendo ao ver o número que aparece na tela, quase tenho uma síncope nervosa.
Oh meu Deus! Oh meu Deus!Oh meu Deus! É o Marco... Chego fico nervosa ao atender, controlo a voz para não transparecer a euforia, e atendo séria:
- Alô. Como se não soubesse que estava do outro lado da linha.
- Estou na frente do seu prédio, será que pode me receber? O Santa Maria da perna torta, não estou acreditando, ele está aqui? No mesmo prédio onde moro? Eu não estou acreditando. E um sorrisão de boba aparece na minha cara. Volto ao normal e respondo. Mais impassível possível.
- Claro que pode, vou autorizar a sua entrada. E desligo.
Pára tudo... Eu estou tão apoplética com a ligação dele, e sua presença, que começo a pular feito um cachorro doido. E só depois de cansar de tantos pulinhos, que me dou conta que estou enrolada em um toalha de banho. Saio em disparada para o meu quarto, e pego a primeira camisola que vejo pela frente. Só é o tempo de vestir, e ouvir o interfone tocar. Droga, não liberei a entrada dele.
- Oi
- Sr. Bárbara, tem um homem aqui querendo falar com a Senhora, posso deixar subir?
- Claro Valdemiro, pode sim!
Enquanto ele não chega, vou ver a minha cara, dá uma ajeitadinha no cabelo, e pegar um hobby, para pelo menos não transparecer que estava esperando apenas de camisola.
Não passa dois minutos para a campainha tocar, respiro fundo e coloco a mão na maçaneta e abro a porta rapidamente.
Que visão do paraíso, ele está tão lindo, vestido de forma casual, mas sei deixar de estar bem arrumado. (Suspiro intenso). Saio do transe mental.
- Que surpresa. Afasto, dando passagem.
Quase ele não me deixa terminar de falar, e me toma em seus braços, empurra a porta com pé, e nós beijamos com fogo, desejo e paixão, sem promessas, somente necessitando um do corpo do outro.
Nos beijamos, por muito tempo, a cada toque de carinho e carícias. Não entendo este encontro súbito, nem o seu beijo urgente, ele não dá espaço para pensar sobre isso, sinto que procura o laço do meu hobby afim de desfazer, que desliza até o chão, e o meu acontece com a minha camisola, eu não estou pensando, não quero questioná-lo sobre nada, quero apenas mais do que nunca curtir o momento. Depois de me deixar totalmente nua, chegou a sua vez de se desfazer de tantas roupas, finalmente deixando os nossos corpos sentir o calor um do outro, sem pressa, mas com muita luxúria.
Nestes dois dias, desde a nossa pseudo-separação, se é que se pode chamar assim, eu quis me iludir, dizer que não passou de dias lascivos com um desconhecido, que daria continuidade, lembrando apenas em pensamento, porém quem eu queria enganar? Estava morrendo de saudades dessa pegada máscula, com força, com desejo... Quero muito tudo isso, não só hoje.
Tocando nossas mãos sem parar de nos beijar, um beijo de olhos abertos, nunca beijei ninguém encarando de olhos abertos, mas a sensação de se falar com os olhos é maravilhosa.
Entendo tudo o que ele está me dizendo apenas com seu olhar, meio peito encosta ao seu, e borboletas resolvem dar sinais de euforia em minha barriga, o calor é intenso, ele me abraça forte, que delícia. E sem pedidos e preliminares, enlaço minhas pernas em sua cintura e sinto ele me invadir, preenchendo como um corpo só.
A cada estocada, as emoções brotam em nosso olhar, não consigo descrever com palavras o sentimento, é como se soubéssemos que ali, está nascendo um amor verdadeiro. Chegamos ao clímax no mesmo momento. E abraçados, nos deitamos no tapete da sala. Eu estava enroscada a ele, e isso era tão bom.
E rompo o silêncio constrangedor que tomou o ambiente.
- Definitivamente a sua visita é muito benquista. Adorei a surpresa.
Ele apenas me olhou, como se buscasse palavras para explicar toda a explosão que passamos agora.
- Eu te vi. Falou pela primeira vez, desde que entrou em meu apartamento.
- Onde me viu? E nem foi me cumprimentar? Fiz biquinho, fingindo estar magoada.
- Fui jantar com meu pais, no D.O.M, e quando estava à procura do Chef que é meu amigo, me deparei com você e o Caio, confesso que fiquei inseguro, mas quando voltei para cumprimentar vocês, você já tinha saindo.
Meu sorriso morreu nesse momento. Ele deve ter entendido tudo errado. Mas por que mesmo assim me procurou?
- E... ? Falar o quê? Que ele entendeu que eu voltei para o meu ex, e veio aqui conferir? Vou deixar a explicação acontecer.
- E... que fiquei confuso, e de forma impulsiva, precisei vir até aqui para entender se tudo que vi, é verdade!
- Não sei o que viu. Porém, te garanto, que hoje foi o ponto final e decisivo que faltava para o meu passado. Tive que ir a esse encontro, e dar um basta no fantasma do Caio que me perseguia.
- Então agora você está livre?
- Totalmente, e pronta para ter um futuro.
E vejo um sorriso lindo, brotar dos seus lábios. Isso que é homem.
- Agora, de fato será minha? Apenas, minha?
- Nesse final de semana, você me disse que queria que fosse sua, mas de repente, ficou distante, não preciso de promessas, o que desejo numa relação é sinceridade e respeito. - O que aconteceu hoje e vem acontecendo, vamos levar devagar. Eu sei que podemos nos machucar, mas se um confiar um no outro e tiver sinceridade... Não conclui, pois ele não me prometeu nada até agora, não vou ficar insistindo.
- Eu estou enfeitiçado por você. Não consigo me afastar, não consigo não pensar em você. Eu a quero do meu lado. E te prometo a minha exclusividade, e quanto ao futuro, deixemos rolar... E se depender de mim, não a magoarei sob hipótese alguma.
-Adorei a parte da total exclusividade, e quanto a ser uma feiticeira, como sou muito curiosa, vou pesquisar um feitiço para saber o que passa com essa cabecinha. Rimos juntos.
-Te prometo que no momento certo, discutiremos sobre isso. - Agora vem aqui, me deixe aproveitar. Tem dois dias que não sinto o seu corpo quente.
- Então como feiticeira, ordeno que esse deus lindo a minha frente, me pegue no colo, me encha de beijos e me leve ao banheiro e desfrute de um longo banho comigo.

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